12 de agosto de 2013

ARTIGO: BUSCA DO TEMPO PERDIDO

 
 (Imagem: Facebook.com)

É possível ver em Brasília cartazes com o simples dizer: Fora Dilma. No Rio, é fora Cabral. Em São Paulo, o alvo é Alckmin, Os políticos estão tentando recuperar prestígio fortemente abalado pela convulsão social. A barulheira das ruas está repercutindo muito em todos os recantos da política nacional. 

A antecipação da campanha eleitoral de 2014 permitiu que o povo se manifestasse livremente. Desconheceu barreiras. E a resposta foi essa. Descobriram que o país é rico, que os impostos são altíssimos, os serviços públicos muito ruins e a inflação incomoda. Não há sinais de que o movimento vá parar.

Isso e muito mais o Jornalista André Gustavo mostra em um Artigo, denominado de "Busca do tempo perdido", publicado no site ABC Polítiko.

Clique no link abaixo e confira o artigo na íntegra.


Por MAYKON OLIVEIRA



O Supremo Tribunal Federal condenou o senador Ivo Cassol à prisão. O réu foi sentenciado a cumprir pena de 4 anos, 8 meses e 26 dias em regime semiaberto por fraudar licitações em benefícios de parentes, entre 1998 e 2002. O Senador está no exercício de seu mandato. E já anunciou que vai ajuizar os embargos cabíveis. Há pouco tempo, o mesmo STF determinou a prisão do deputado Natan Donadon por desviar recursos da Assembléia Legislativa em Rondônia.

Donadon foi sentenciado a cumprir 13 anos, 4 meses e 10 dias de prisão. Regime fechado. Já está recolhido na Penitenciaria da Papuda. Seus advogados tentam na Câmara a vitória improvável que lhe garanta a manutenção do mandato. Seu gabinete foi fechado e os funcionários demitidos. Pouco resta da memória parlamentar do deputado que está passando seus dias numa prisão a uns vinte ou trinta quilômetros do Congresso Nacional.

Patriarca - O procurador Geral da República abriu processo contra a governadora do Maranhão, Roseane Sarney, filha do patriarca e político de enorme dimensão, chamado José Sarney. E nos próximos dias vai recomeçar a novela do mensalão quando alguns dos acusados tentarão se livrar de penas maiores por intermédio dos embargos de infringência. Condenados eles já estão. O que poderá mudar é a extensão da pena.

Não é difícil perceber, com os exemplos recentes, que fazer política no Brasil, no estilo do início do século vinte, está ficando cada vez mais difícil. A questão do pagamento de propinas no estado de São Paulo desde o governo Mario Covas tende a ganhar conotações partidárias. Informes originários da Suíça dizem que “há evidências claras de suborno” a projetos de energia em Furnas, Eletropaulo e na Usina de Itá. E os contratos para compra de trens para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos- CTPM – estão sob investigação. A acusação é de formação de cartel.

O clamor das ruas fez efeito. O primeiro, imediato, foi baixar o preço das tarifas de transporte urbano. Nos vários níveis de administração, os preços foram reduzidos. Em tal grandeza que contribuíram fortemente para a desaceleração da inflação, um dos motivos, aliás, que mobilizou o povo. O governo saiu correndo para tentar recolher seus próprios destroços. O Ministro da Saúde fez, refez e finalmente parece estar colocando de pé seu projeto de enviar médicos para regiões carentes. Os brasileiros não se interessaram muito pela novidade. Virão os militares e, por último, estrangeiros. Portugueses, espanhóis e cubanos e outros.

O sistema cubano de exportar médicos é diferente. Eles são enviados pelo governo, mas recebem a remuneração de Havana. O Brasil paga a Cuba e não ao médico daquele país. É maneira de controlar o pessoal no Brasil. Evitar fugas e manter o cidadão sob rigoroso controle. Portugueses e espanhóis não deverão enfrentar problema semelhante. Vão desfrutar das vantagens deste enorme país, ganhar um bom dinheiro e terminar se fixando em algum ponto do território, mesmo porque não haverá grande fiscalização. Nada impede que depois de alguns anos nos confins da Amazônia, o médico abra um consultório em Copacabana.

Diálogo - A roseira balançou. A chacoalhada promovida pelas ruas, que ainda não terminou, teve resultados surpreendentes. A presidente Dilma Rousseff, de repente, esqueceu a cara feia e passou a conversar com deputados de todos os partidos, inclusive do PT. Abriu diálogo com empresários e passou a viajar pelo país. E, a exemplo de seu antecessor, começou a dar entrevistas para emissoras de rádio locais. É uma tática interessante e pouco utilizada no Brasil, para chegar perto das pequenas comunidades. Em Varginha, sul de Minas, ela prestou reverência até ao ET que teria visitado a localidade.

É possível ver em Brasília cartazes com o simples dizer: Fora Dilma. No Rio, é fora Cabral. Em São Paulo, o alvo é Alckmin, Os políticos estão tentando recuperar prestígio fortemente abalado pela convulsão social. A barulheira das ruas está repercutindo muito em todos os recantos da política nacional. A antecipação da campanha eleitoral de 2014 permitiu que o povo se manifestasse livremente. Desconheceu barreiras. E a resposta foi essa. Descobriram que o país é rico, que os impostos são altíssimos, os serviços públicos muito ruins e a inflação incomoda. Não há sinais de que o movimento vá parar.

Quando o clima de Copa do Mundo começar a dominar o ambiente, na antevéspera da eleição, a barulhada vai recomeçar com intensidade. O Brasil de novo retornará as manchetes e os vândalos terão oportunidade de quebrar vitrines e provocar incêndios localizados. São ingredientes essenciais para uma boa foto de primeira página de jornal. Ou da reportagem de abertura do principal noticiário da noite. Na relativa tranqüilidade deste segundo semestre parlamentares, governantes e juízes precisam correr. Os riscos de 2014 são excessivamente elevados. A adoção do orçamento impositivo, que está perto de ser aprovado, acaba com o toma lá-dá-cá entre Executivo e Legislativo. É medida moralizadora.

A reforma política poderia ser reduzida ao mínimo. Basta ser criada a chamada cláusula de barreira. Só partidos com representação no Congresso teriam tempo na televisão e direito a receber verbas do Fundo Partidário. Os evangélicos que estão espalhados por diversas siglas não gostam da idéia. Ela, então, não prospera. Medida deste quilate faria desaparecer legendas de aluguel. Pode ser aprovada por projeto de lei. Não é necessário reforma constitucional, nem referendo popular.

André Gustavo é jornalista - VIA ABC POLITIKO

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